No Fórum da Memória: Vocação

8 julho, 2020  Por: André Felipe Furtado  Artigos

“Vocação?” é um dos capítulos do livro “No Fórum da Memória” (2008) de Eider Furtado. Em um agradável texto, Eider fala (e se pergunta) sobre suas vocações profissionais, passeando sobre sua infância, adolescência e na fase adulta. Para cada etapa de sua vida, uma experiência vivida.

            Inicia contando sobre duas aulas que proferiu a jovens estudantes: uma, quando ainda era professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, aos alunos do Colégio Marista; a outra, já aposentado, aos discentes do curso de direito da antiga FARN, atual UNI-RN, ocasião em que tive o privilégio de ser seu aluno por um dia.

            Eider reputou o tema das aulas como “razoavelmente fácil”, muito embora tivesse um receio de que sua abordagem decepcionasse algum daqueles jovens, pois, para ele, “não há uma profissão melhor que outra. Todas as profissões são excelentes, desde que assim as façam bons profissionais”.

            Pois bem. Quando criança, Eider sonhava em ser militar. Estava empolgado e deslumbrado com um militar de quem ouviu muitas histórias sobre sua conduta e coragem, porém não nos revela seu nome. Depois, pensou em ser padre. Acolitou missas rezadas em latim, sem entender o que se dizia, repicou sinos e cantou louvores e salmos na língua eclesiástica. Como ele costumava brincar, a Igreja perdeu um grande padre, mas sua mulher ganhou um grande marido.

            Na adolescência, mesmo sem demonstrar vontade, recebeu um cavaquinho do seu pai, Gil Furtado, que era um grande apreciador de música e cantarolava, pelo meio da casa, canções como “Royal Cinema”, do grande Tonheca Dantas. Depois, seu pai o matriculou no Instituto de Música, com a professora Ana Wanderley. Depois das aulas teóricas, Eider escolheu seu instrumento: o violino.

            Tocando violino, chegou à Orquestra de Salão da REN (Rádio Educadora de Natal), antecessora da Rádio Poti. No começo da fase adulta, Eider precisou deixar a música para dedicar-se ao trabalho como repórter e, depois, diretor artístico da REN. Recolheu seu violino na caixa-estojo, onde, abandonado, “se desfez em vários e inúteis pedaços de madeira”.

            Foi jornalista profissional com registro no Ministério do Trabalho. E foi jornalista por obra do destino. Sua pretensão era conhecer como se fazia um jornal. Mas foi repórter, redator e editorialista do Diário de Natal. Anos mais tarde, quando o chamavam de jornalista, ele não se sentia um homem de imprensa, e se perguntava: “o jornalismo teria surgido em mim como uma vocação, ou, simplesmente, como uma agradável experiência?”.

            Porém, ao cumprir uma antiga promessa que fez ao seu pai, Eider Furtado formou-se na primeira turma da Faculdade de Direito de Natal, em outubro de 1959. Quando escreveu o capítulo aqui analisado, dizia estar com 46 anos de advocacia, e, portanto, 81 anos de vida. Com toda a sabedoria que só os anos são capazes de ensinar, não nos deixa dúvidas sobre sua vocação ao direito: “Quanto a mim, realmente, depois de passar por tantas experiências, posso dizer que a advocacia me faz bem”.      

André Felipe Furtado é Bacharel em Direito pelo Centro Universitário do Rio Grande do Norte – UNI-RN, desde o ano de 2005, Membro inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte, sob o nº 5.890, Advogado do escritório desde 2005, tornando-se sócio no ano de 2018, Mestrando em Sociedad Democrática, Estado y Derecho pela Universidad del País Vasco, Espanha, Curso de Extensão em Direito Público pelo Praetorivm, em 2006, Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Universidade Potiguar, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN, Ocupa a Cadeira n.º 6 da Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes – ACLA.

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