No Fórum da Memória: Contando com a ajuda divina

15 junho, 2020  Por: André Felipe Furtado  Artigos

         “Contando com a ajuda divina” é o nome de um dos capítulos do segundo livro de Eider Furtado, “No Fórum da Memória” (2008). Nosso homenageado conta uma história que revela seu lado religioso e sua inabalável fé em Deus. Também é possível perceber outras marcantes características suas, a exemplo da ética profissional, do zelo pela família, da paciência e da humildade.

            Eider Furtado inicia asseverando que “o ano não importa”. No entanto, no decorrer de sua narrativa, ele dá algumas dicas que nos ajudam a desvendar que essa história ocorreu no primeiro semestre de 1969.

            Era começo de mês, e o dia iniciava com Eider bastante preocupado, já que em sua carteira havia apenas vinte cruzeiros. Mas, como o próprio título sugere, depois de “contar com a ajuda divina”, ele terminaria o dia aliviado, pois recebera alguns pagamentos referente a serviços advocatícios que tinha prestado aos seus clientes.

         A lição que se pode extrair não é, simplesmente, a da riqueza material. Pelo contrário, é a da fé na superação às adversidades, numa contínua evolução do lado espiritual.

         Pois bem. Naquele dia, antes de sair de casa, Eider fez uma oração, pedindo para “sair daquela situação, sem que para tanto alguém fosse sacrificado”. Isso, porque, embora fosse advogado que prestava assessoria jurídica contínua a algumas empresas, ele entendia que não era correto solicitar um adiantamento de honorários a qualquer de seus clientes.

         E saiu sem dar sinais da preocupação que tanto o afligia, numa clara manifestação de cuidado com sua mulher, Helenita, que sempre tão bem se dedicou ao lar e aos filhos, proporcionando tranquilidade para que o marido pudesse exercer sua profissão.

         Assim que chegou ao escritório, Eider Furtado viu um envelope fechado em sua mesa. Ao abrir, viu a quantia de quatrocentos e oitenta cruzeiros e um bilhete do Monsenhor Eymard Monteiro, em que agradecia o serviço desempenhado na condução de um acordo em uma reclamação trabalhista, em que o advogado pagou a citada quantia de seu próprio bolso. Sua reação foi de levantar as mãos para o céu e fazer uma prece de agradecimento.

         Em seguida, Eider experimentaria o que, para ele, foi uma provação de Deus. Já com algum dinheiro na carteira, fez uma ligação para um amigo comerciante, como repetidamente fazia, quando queria encomendar-lhe um pouco de veneno para matar as formigas que atacavam as plantas que cultivava em sua granja, localizada em Parnamirim. O comerciante disse-lhe que não mais estava vendendo aquele veneno, pois o lucro era muito pequeno. E logo emendou outro assunto: lembrara-se de que era devedor de honorários, decorrente do trabalho realizado, cerca de três ou quatro anos antes, na regularização desse seu comércio.

         No decorrer do dia, o comerciante, que teve seu nome intencionalmente omitido por Eider Furtado – intenção essa que será respeitada – enviou um cheque no valor de novecentos e vinte cruzeiros. Tal quantia parecia irrisória diante do sucesso com a causa vencida, estimada pelo advogado em dois milhões de cruzeiros. Qualquer profissional cobraria, no mínimo, 10% (dez por cento), ou seja, duzentos mil cruzeiros. Eider não recebera nem mil cruzeiros.

         A decepção foi tanta que ele pensou em devolver, na mesma hora, o cheque ao portador enviado pelo comerciante. Mais uma vez, em oração, pediu a Deus que o orientasse como proceder diante daquela situação. Ao concluir que poderia estar sendo testado na sua vaidade e no seu orgulho, resolveu acatar o cheque, não pelo seu valor, mas pela importância que lhe trazia para honrar os compromissos daquele mês.

         Logo depois, e ainda naquele mesmo dia, Eider recebeu uma correspondência do Banco do Brasil, informando-lhe que havia sido transferida para sua conta uma quantia superior a cinco mil cruzeiros, proveniente de honorários pagos pelo Sindicato dos Salineiros de Mossoró, cujo presidente, à época, era o industrial Francisco Ferreira Souto Filho, conhecido por todos como Soutinho.

         Sem pestanejar, vestiu seu paletó e foi à Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, na Praça André de Albuquerque, no centro histórico de Natal, para agradecer a ajuda divina recebida que viera em seu socorro. E finaliza: “Coincidência? Mesmo que eu não tivesse méritos que me credenciassem junto ao Pai de todos nós, prefiro entender que Ele nos ouve e chega até nós quando lhe rogamos as coisas que somente Ele pode oferecer”.

André Felipe Furtado é Bacharel em Direito pelo Centro Universitário do Rio Grande do Norte – UNI-RN, desde o ano de 2005, Membro inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte, sob o nº 5.890, Advogado do escritório desde 2005, tornando-se sócio no ano de 2018, Mestrando em Sociedad Democrática, Estado y Derecho pela Universidad del País Vasco, Espanha, Curso de Extensão em Direito Público pelo Praetorivm, em 2006, Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Universidade Potiguar, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN, Ocupa a Cadeira n.º 6 da Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes – ACLA.

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